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domingo, 24 de abril de 2011

Invisível de cor quintaniana

Invisível de cor quintaniana é o que me cega pela janela
O esboço de um jardim projetado em madeiras velhas
Podia ser o amanhecer do meu sonho de menina
Mas a ponta do meu pincel, sempre sedenta
Por um pouco mais de tinta!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

3x4


Como saber quem sou
se o que fui
transmuta-se no que ainda serei?


E como saber o que serei
ou o que fui
em meio ao que eu poderia ter sido?


E o que eu poderia ter sido então?
não sei...
Ainda posso vir a ser!



domingo, 23 de janeiro de 2011

Onde há pólen há flor

O horizonte... um derramamento de palavras que um dia escorreram pelos olhos. A nova paisagem brota com tantas curvas como as que erguem uma arquitetura de Gaudí. Um filtro na minha lente transformam antigas gaiolas em casas nas arvores. A ferrugem agora é pólen. E o que me resta... fazer um chá com os cogumelos que brotam de mofadas ideias!

domingo, 17 de outubro de 2010

O batuque dos escombros



Ela se contorce em uma dança só dela, sapateia em cima da raiva e joga praga nas alegrias. Escreve um memorando em uma linha exigindo atenção, liga para o papa e reza com medo de terminar seus dias pela sarjeta mendigando amor ou caçando no lixo migalhas de carinho. Tanta chuva e aguaceiro espiritual! Foi matar a sede no fundo do poço e puxou com um balde o medo de perder o que não se tem. Sentiu calafrios ao pensar que poderia cair de seu mundo imaginário onde o cinza, as vezes, parece furta-cor. Eu sinto DÓ... RÉ MI FÁ... porque raiva, com esse SOL LÁ fora, nem SI minha melodia permitisse!

A imagem acima foi feita por mim para um projeto acadêmico de um livro experimental. Sua linguagem visual foi trabalhada para interpretar uma música do Arnaldo Antunes - Fora de si, dentro do conceito "loucura" . Esta Canção, integra a trilha sonora do filme Bicho de 7 Cabeças.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

esconde-esconde



A melodia silenciosa baila por entre os objetos na sala. A felicidade nunca é completa. Eu tenho um sofá que sonha em ser cadeira de balanço. Minha TV queria ser microondas para não exibir os enfadonhos programas de domingo. O controle remoto é o único que se diverte, brincando de esconde-esconde com todos os membros da família. Um dia, sentada no sofá, achei o controle remoto. Na fluidez da brincadeira, esta é a grande chance de me esconder.

sábado, 4 de setembro de 2010

Testamento


As palavras que ainda estão em mim, deixo as para você. Algumas delas, um tanto quanto cortantes, outras com sabor levemente adocicado... As azedas não! São minhas favoritas e gostaria de ser enterrada com elas. Esse testamento é um manifesto! Para que sua tristeza não se dilua em minhas alegrias. Pra você não me matar sem que eu tenha decidido que já é hora de morrer. Então eu guardo meus sentimentos, pois não compreendo os seus. E as roupas que não me servem mais deixo na igreja, ao pé de uma estatueta pagã. Acendo uma vela e ouço através de uma concha que o mar já levou minhas cinzas pra bem longe.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Aspas

Eu tenho sentido necessidade de silêncio. Mas meu silêncio não é quieto como aparenta. Tenho um monte de pensamento pensando ao mesmo tempo e a impressão de ouvi-los gritar dentro da minha cabeça. Por isso essa vontade de escrever. Transformar pensamentos em palavras é a minha tentativa de contê-los em uma folha de papel ou tela de computador. Palavras escritas estão sempre mais estáticas. Os pensamentos não! Eles são soltos de mais, perigosos, imprevisíveis... E o meu tem sido até traiçoeiro.

Em alguns momentos da minha vida acreditei que seria incapaz de sentir raiva ou alimentar sentimentos pontiagudos. Olha que inocência a minha! Sentada no pedestal da minha autoconfiança me julguei capaz de superar qualquer dificuldade de ordem emocional em no máximo 3 dias. (Afinal tinha de manter o saldo positivo da semana com pelo menos 4 dias de alegrias). E sim, consegui muitas vezes, mas acabo de descobrir que esta não é uma verdade absoluta. Eu sempre tive muita sorte, mas não acreditava em sorte. Acreditava em merecimento. Mas nunca acreditei que merecesse tanto, então passei a acreditar em sorte. Aprendi a reconhecer minhas fraquezas e imperfeições. Descobri que não tenho Band-Aid para todas as feridas do mundo. E que preciso romper com meus sonhos de menina, tirar minha capa de mulher maravilha e parar de tentar salvar o mundo quando não tenho condições de resgatar a mim mesmo, minha alegria, e aquela essência que jurei, seria sempre boa, leve e cheirando a glicínias.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Querida Neurose,

Estou prestes a escrever um texto dadaísta só para tirar da minha cabeça essa profusão de pensamentos conturbados exatamente na ordem aleatória em que eles acontecem. Acabo de receber em casa o livro “Fora de Órbita” do Woody Allen que comprei em uma promoção do Submarino. De 36,90 por 10,00 reais. Gosto do Woody Allen por me identificar com sua complexidade de pensamentos que teimam em pensar ao mesmo tempo. E acho linda essa clareza confusa que ele tem ao expressá-los. A droga nisso tudo é que emprestei na biblioteca “Mrs Dalloway” da Virgínia Woolf e tenho apenas uma semana para ler. Juntando os trabalhos da faculdade, as leituras obrigatórias, um projeto super bacana de um curta onde estou atrasada com meus afazeres e os momentos livres do qual necessito para ser eu mesma sem que ninguém me torture por isso. Ah! E o meu novo estágio, pois começo segunda-feira e tenho essa semana para deixar todos os documentos acertados. O fato é que eu sempre me jogo em um turbilhão de coisas, mas nesse exato momento só queria jogar esse meu corpinho magrelo pela janela. Como no mais recente filme do Woody Allen, acreditando que “tudo pode dar certo” eu quebraria apenas o dedo mindinho do pé esquerdo, engessaria toda perna (meu sonho de criança) e teria uma ótima desculpa para me isolar em casa... Mas quebrar, mesmo que seja apenas o dedo mindinho do pé esquerdo, dói! E só para não sentir dor, eu prefiro viver e assumir que as vezes prefiro livros ao invés de pessoas. E vou torcer em silêncio para que o Submarino seja sempre mais eficiente na entrega de livros do que a cegonha entregando bebês! O mundo precisa de mais livros do que gente!